A Páscoa e o equinócio


A gente sabe que algumas datas importantes para o catolicismo não são celebradas sempre no mesmo dia e mês. A terça-feira de Carnaval, por exemplo, acontece 40 dias antes do Domingo de Ramos, que por sua vez antecede o domingo de Páscoa.

Mas como essas datas são definidas? Em 1582, durante o papado de Gregório XIII, foi criado o chamado Calendário Gregoriano, que é utilizado até hoje. Baseado no tempo que a Terra leva para orbitar o sol, ele organiza o ano em 365 dias, dividido em 12 meses.

Com base no Calendário Gregoriano, a igreja adotou o Equinócio Eclesiástico para definir a data da Páscoa, que difere ligeiramente do equinócio astronômico. De acordo com ele, a Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte (chamada de Lua da Páscoa).

As datas importantes do cristianismo não representam o momento em que os eventos efetivamente ocorreram. Elas foram definidas pela igreja para atribuir um significado cristão às celebrações pagãs.

Com o fim do inverno, os festivais pagãos que ocorriam no equinócio de primavera no hemisfério norte celebravam a abundância e a renovação da nova estação. O coelho, devido a sua rápida reprodução, era símbolo de fertilidade e permaneceu como a imagem ligada à Páscoa. Da mesma forma, os ovos, simbolizando a renovação da vida, costumavam ser decorados e presenteados.

Mas como chegamos aos ovos de chocolate? Bem, o chocolate foi introduzido na Europa no Século XVII e, seguindo as tradições maias e astecas, era consumido como bebida pela aristocracia. Tornou-se símbolo de status. Os confeiteiros franceses começaram a esvaziar ovos de galinha e a recheá-los com chocolate. Somente em 1873 a Cadbury na Inglaterra lançou os primeiros ovos de chocolate industrializados, que só se popularizaram na segunda metade do século XX.

 Hoje nos supermercados muitas marcas de ovos de Páscoa vêm com brinquedos ou estão associados a personagens infantis, uma estratégia de marketing que transforma o chocolate em uma experiência de consumo.

Nos primeiros séculos da era cristã, a igreja tratou de ressignificar as celebrações pagãs para ampliar sua influência. Podemos pensar que o capitalismo passou a substituir o sentido religioso das celebrações cristãs por eventos de consumo? Com as mudanças climáticas e toda a tensão geopolítica da atualidade, ainda conseguimos atribuir significados e encantos à chegada da primavera ou do outono? 

Comemoremos com os nossos enquanto há tempo. Feliz Páscoa!








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