Equinócio de outono

Efeito do outono em Argenteuil - Claude Monet, 1873

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
– Canção de Outono – Cecilia Meireles


Daqui a poucos dias, em 20 de março, ocorre o equinócio de outono no hemisfério sul.

A palavra “equinócio” deriva do latim aequus (igual) e nox (noite), para designar o fenômeno astronômico em que o dia e a noite têm aproximadamente a mesma duração em todo o planeta. Isso porque no equinócio o sol incide diretamente sobre a linha do Equador e ambos os hemisférios recebem a mesma incidência solar.

Aqui na região Sudeste, os dias ainda podem ser quentes mas as noites são mais frescas. Já nas regiões norte e nordeste é a estação das chuvas.

E para muitos povos originários, as mudanças de estação estão associadas às constelações, que orientam diversas atividades, da agricultura à fertilidade. No outono, a constelação do Veado (ou Guaxu em Guarani) fica visível no céu e marca a transição entre calor/frio e seca/chuva.

Constelação do veado

Em uma cidade como São Paulo, é difícil notar transformações radicais na paisagem natural, como acontece em regiões mais frias do hemisfério norte. Ainda assim, em várias espécies arbóreas, as folhas ficam amareladas e caem para conservar a água – são as chamadas espécies caducifólias. Como a produção de clorofila é reduzida, os pigmentos amarelos das folhas, chamados carotenóides, ficam visíveis.

Quaresmeira-roxa (Tibouchina granulosa)
Fonte: Maurício Mercadante (2010) / Flickr / CC BY-SA 4.0

Algumas das espécies bastante comuns na cidade de São Paulo que perdem as folhas no outono são a sibipiruna e os ipês. Mas é justamente no outono que ocorre a floração de algumas outras árvores, como a quaresmeira e o manacá-da-serra. É também no outono que a flor-de-maio floresce.

O outono é a estação da colheita e da abundância, celebrado em festivais na antiguidade, e é também a transição para o inverno, tempo de recolhimento e introspecção, tempo de desapego. Como no trecho do poema de Cecília Meireles, as folhas secas são a metáfora da transitoriedade da vida e dos ciclos que se renovam.

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